OBRAS DE CAPTAÇÃO DE ÁGUA
Em geral, as propriedades rurais não contam com um sistema
público de abastecimento de água ( água encanada), de modo que é preciso instalar
sistemas próprios de abastecimento, captando a água de :
- Rios, riachos, córregos, lagoas, açudes, barragens ou represas;
- Minas ou nascentes;
- Lençóis freáticos ( água de poço);
- Chuvas.
A obtenção de água de cada uma dessas fontes exige
sistema de captação com características específicas:
- Sucção direta na fonte;
- Drenagem;
- Poço;
- Cisterna;
- Pequenas barragens.
A escolha dos sistema mais adequado vai depender da fonte de abastecimento de água
disponível na propriedade.
1) Tomada de água por sucção direta na fonte
Este sistema é usado quando existe um rio ( ou
riacho, córrego, açude, barragem, represa ou lagoa ) próximo e há necessidade de
grande quantidade de água ( para irrigação, por exemplo). A tomada de água por
sucção é feita diretamente no rio com uma bomba e um mangote. Em geral, a
água é lançada até um reservatório ou caixa- d'água da
propriedade, de onde escoa por gravidade para os locais desejados.
Entretanto, sempre há o risco de o mangote para sucção direta no rio sofrer
deslocamentos ou entupimentos, provocados por assoreamento ou movimentação de lama, de
pedras, de galhos, etc. Além disso, por mais que se proteja a boca do mangote ou se
faça manutenção constante em épocas de estiagem ela pode ficar acima do nível da
água, provocando interrupção do abastecimento e danos ao equipamento.
A solução definitiva para esses problemas, principalmente quando há necessidade
de captação de grandes volumes de água, é a contrução de um poço esvado em
barrancas não atingidas por cheias ou inundações e ligada ao rio por uma tabulação
fixa. O mangote passa a funcionar no fundo do poço, protegido dos problemas já
referidos.

Esse poço deve ter 1,5m a 2m de diâmetro. E o seu fundo deve ficar de 1m a 2m abaixo do
nível mínimo de água do rio ( riacho, córrego, açude, barragem, represa ou lagoa).
As paredes do poço podem ser feitas com blocos de concreto, se o diâmetro do poço tiver
mais de 1,5m. Eles devem ser apoiados sobre um anél de concreto ( pré-moldado ou
feito no local ), que servirá de fundação.
Mas o ideal é fazer o poço com anéis pré-moldados de concreto. Isso pode ser feito de
duas maneiras:
- Em terrenos firmes, primeiro é feita a escavação e depois são assentados os anéis;
- Em terrenos fracos ( que desmoranam facilmente ) os anéis são colocados à medida que
a escavação é feita.
Eles descem movidos pelo próprio peso.
Nos dois casos, o primeiro anél serve de base ou fundação para os demais. Contruído o
poço, é aberta uma valeta ligando o seu fundo ao rio para assentamento de tubos
pré-moldados de concreto com diâmetro mínimo de 20cm, por onde a água entrará
em direção ao poço. As emendas dos tubos devem ser bem rejuntadas com argamassa de
cimento e areia.
Instalada a tubulação, a valeta pode ser enterrada.
A boca do tubo que fica no fundo do rio deve ser protegida com uma grade ou tela e
examinada periódicamente, para evitar obstruções.
Para tampar o poço, deve ser construída uma laje de concreto armado com 10cm de
espessura, suficiente para aguentar o peso da bomba e do motor. Ela deve ter uma tampa,
para permitir a entrada no interior do poço, e dois buracos para a passagem das
tubulações.
Na instalação da bomba, siga as instruções do fabricante.
2) Tomada de água por drenagem
Esse sistema é usado quando a demanda por água não é
muito grande e existe uma mina ou nascente nas proximidades. A captaçãso de água de
minas ou nascentes consiste em drenar essas fontes por tubos. Essa benfeitoria deve ser
feita na época mais seca do ano.
A construção desse sistema de captação começa com a construção de um buraco no solo
de aproximmadamente 2m de distância do olho-d'água, no sentido morro acima,
até que o fundo do buraco fique cheio de água. Em seguida, é aberta uma valeta a partir
desse buraco até o terreno firme mais próximo, no sentido morro abaixo, onde será
construída uma caixa de passagem. O buraco é então ligado à caixa por tubos
pré-moldados de concreto, de 20cm a 30cm de diâmetro, de dois tipos:
- Tubos perfurados (drenos) no trecho da valeta com fundo encharcado
- Tubos normais no trecho da valeta com fundo seco ( para não perder a água já captada
).
Na instalação desses tubos devem ser tomados dois cuidados:
- A tubulação deve ter um caimento de 2% ( 2cm por metro de tubo colocado);
- Os tubos perfurados devem ser assentados sobre uma camada de brita, rejuntados com uma
argamassa de cimento e areia e recobertos com uma camada de pedra 1 ou 2 e areia.
Os tubos perurados de concrto podem ser instalados de várias formas, com ramificações
formando redes, dependendo das características do local onde serão instalados.
A caixa de passagem pode ser feita com blocos de concreto revestidos com argamassa à base
de cimento. A caixa deve ter uma tampa para evitar a entrada de animais e folhas.
O buraco e a valeta só devem ser aterrados após a colocação dos tubos perfurados e dos
tubos normais e após a execução da caixa de passagem. Desta sirá a tubulação de
abastecimento da propriedade.
Convém proteger o local da nascente com cercas , para evitar a entrada de animais ou
qualquer outro agente poluidor.
3) Poço
Essa benfeitoria, usada para captar pequenas quantidades de
água, é uma boa solução quando não há possibilidade de aproveitamento de riachos,
nascentes ou similares. Entretanto, o lençol de água (lençol freático) precisa
estar num nível elevado no ponto de captação. Portanto, para evitar a abertura de
poços em locais inadequados, é recomendável consultar antes um especialista no assunto.
O local da construção do poço tem de ser bem estudado. Deve ficar afastado uns 30m no
sentido morro acima, de focos de poluição ( fossas sépticas, sumidouros, esterqueiras,
etc) O especialista poderá dar maiores informações sobre a melhor localização
do poço.
Para evitar contaminações, os 3 primeiros metros da parte inferior do poço devem ser
revestidos com uma argamassa à base de cimento, qualquer que tenha sido o material usado
(anéis pré-moldados ou blocos de ciment ).
É preciso fazer uma laje sobre o poço, por motivos de segurança e higiêne, e também
para aguentar o peso do conjunto motor e bomba. Essa laje é igual à dos poços para
tomada de água por sucção direta na fonte, devendo ter uma tampa para permitir no poço
e abertura para tubulação.
4) Cisternas
As cisternas são benfeitorias usadas nas regiões secas.
Servem para captar e armazenar as águas das chuvas que escorrem de telhados, de terreiros
para secagem de grãos, de pátios de resistência e outras áreas pavimentadas.
As cisternas são formadas por sistemas de captação, um reservatório de
armazenamento e um sistema de filtragem.
Existem basicamente dois modelos de cisternas:
- Para captação de água de telhado;
- Para captação de água de áreas pavimentadas.
a) Cisternas para captação de água do telhado
Recolhem pequena quantidades de água. A captação é feita por um conjunto de calhas
e tubos ( em geral, PVC com 10cm de diâmetro), que conduzem a água da chuva para um
reservatório.
O tamanho do reservatório depende do consumo, da área do telhado e da quantidade
de chuva que cai na região. Um profissional especializado pode ajudar a definir o
tamanho ideal em cada caso. O certo é executar esse reservatório total ou parcialmente
enterrado. Isso reduz o custo da construção e a água mais fresca.
O dimensionamento do sistema de captação deve respeitar alguns valores médios de
consumo diário de água nas regiões brasileiras afetadas pela seca.
| VOLUME TOTAL DE ÁGUA NECESSÁRIO (EM LITROS) | |
| Homem (por pessoa) | de 14 a 28 |
| Bovinos (por cabeça) | de 53 a 83 |
| Equinos (por cabeça) | de 41 68 |
| Caprinos (por cabeça) | de 06 a 11 |
| Ovinos (por cabeça) | de 06 a 11 |
| Suinos (por cabeça) | de 06 a 16 |
| Aves (lote de 100 ) | de 20 a 38 |
O reservatório pode ser construído com concreto armado ou ferrocimento.
Mas precisa ser muito bem feito, para evitar vazamentos.
Os reservatórios devem ser cobertos com laje, um telhado ou uma tampa, dependendo do seu
tamanho, para evitar acidentes e a entrada de luz e sujeira. O importante é que
essa cobertura tenha um suspiro (arejador), abertura para a passagem da tubulação e uma
pequena tampa removível para limpeza e conservação.
O reservatório pode ter também um ladrão (ou sangradouro), que consiste em um tubo de
5cm de diâmetro, colocado no topo da parede do reservatório, para escoar o excesso de
água.
A água armazenada nessas cisternas deve ser filtrada na saída. Para isso, é preciso
instalar um filtro dentro do reservatório, composto de camadas de pedra, carvão vegetal,
areia grossa e areia fina, superpostas nessa ordem, de baixo para cima. A boca do tubo de
saída do reservatório deve ficar enterrada na camada inferior desse filtro.
É sempre preferível retirar a água com uma bomba. A retirada com balde é pouco
produtiva e apresenta riscos de contaminação.
É recomendável não deixar a água do início da chuva entrar no reservatório, pois ela
contém muita sujeira. Para isso, o tubo de PVC que sai da calha deve ser mantido fora da
entrada do reservatório, até a água ficar limpa. Só então ele é colocado dentro da
cisterna. Quando a água se destinar ao consumo ou ao preparo de alimentos, é
recomendável fervê-la antes de usar.
b) Cisternas para captação de água de pisos e pavimentos
As cisternas para captação de águas de pisos e pavimentos são usadas quando as
áreas dos telhados das moradias não é suficiente para coletar a água necessária para
a propriedade.
Nesse sistema, a água das chuvas que cai em áreas pavimentadas é recolhida em
canaletas e ralos, de onde é conduzida por canaletas até um filtro e deste para um
reservatório igual ao do sistema de captação de água do telhado.
Os pisos e pavimentos já existentes podem ser usados para a captação de água das
chuvas. Quando construídos para essa finalidade, os pisos e pavimentos devem ser
construídos de modo a conduzir a água direto para os ralos, dispensando as canaletas e
com um caimento mínimo de 3% ( 3cm por metro de extensão do pavimento). O ideal também
é que todo o contorno da área de captação seja delimitado por uma mureta de 20cm de
altura ( uma fiada de blocos de concreto). Isso evita a entrada de barro, poeira ou
sujeiras que contaminam a água captada.
O tamanho do reservatório depende do consumo, da área pavimentada e da quantidade de
chuva que cai na região.
O reservatório pode ser construído com concreto armado ou com ferrocimento. Mas precisa
ser muito bem feito para evitar vazamentos.
Esse reservatório deve ser coberto com uma laje ou telhado, com um caimento para o lado
da captação, de modo a também contribuir para o abastecimento de água. O importante é
que essa cobertura tenha um suspiro, aberturas para a passagem de tubulações e
uma pequena tampa removível, para limpeza e conservação.
É recomendável não deixar a água captada no início da chuva não enrar no
reservatório, pois contém muita sujeira. Isso é feito com a ajuda de um desvio na
tubulação (ladrão) antes da entrada no reservatório.
5) Pequenas barragens
As barragens aproveitam as águas dos rios, córeegos,
riachos disponíveis nas propriedades. Além de captar água, elas têm a vantagem de
poder servir também para outras finalidades, como por exemplo:
- Geração de energia elétrica;
- Irrigação;
- Criação de peixes.
Elas devem ser construídas em estreitamentos ou gargantas de vales, principalmente por
questão de economia.
As barragens podem ser feitas de:
- Concreto;
- Solo-cimento;
- Terra;
- Pedras ( enrocamento).
Qualquer que seja o material utilizado, todas as barragens são executadas com a
superposição de camadas.
A construção de uma pequena barragem, independentemente do material utilizado, deve ser
feita com base num projeto obrigatóriamente elaborado por um profissional habilitado (
engenheiro civil, engenheiro agrícola ou agronomo), por ser uma obra de
responsabilidade. O projeto e a execução da obra deve considerar vàrios fatores: -
Volume de água a ser captada;
- Materiais disponíveis nas proximidades;
- Capacidade de suporte do solo para aguentar o peso da barragem;
- Topografia da área;
- Indice de chuvas na região;
- Intensidade de evaporação local;
- Fundação firme, garantindo boa estabilidade da obra;
- Utilização de técnicas e procedimentos de construção que evitem a ocorrência de
trincas ou fissuras;
- Domínio da tecnologia dos materiais a ser utilizados.
As barragens de concreto e de solo-cimento têm as seguintes vantagens:
- São impermeáveis ( quando esses materiais são usados corretamente);
- Duram muito mais;
- Consomem menos materiais ( por exemplo, dispensam o revestimento);
- O núcleo das barragens pode ser preenchido com terra reduzindo o seu custo.
Já as barragens de terra e de pedras não são impermeáveis. Isso dificulta o
armazenamento da água e gera risco de rompimento. Por isso, é preciso fazer um
revestimento de concreto ou de solo-cimento, pelo menos na parte da barragem que fica em
contato com a água. Em alguns casos, é até recomendável fazer um diafrágma ( parede)
de concreto no núcleo dessas barragens.
As barragens também podem ser feitas com solo-cimento ensacado, com um núcleo de argila
ou solo-cimento.
Toda barragem deve ter um vertedouro (ladrão ou sangradouro), para escoar o excesso de
água e evitar que ela suba além da altura da barragem, transbordando pelo topo ( crista
). Isso pode causar danos sérios à barragem, desgastando o topo e causando
infiltrações e erosão na base.
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