SOLO-CIMENTO

O solo-cimento é um material alternativo   de baixo custo, obtido pela mistura de solo, cimento e um pouco de água. No início, essa mistura parece uma "farofa"  úmida. Após ser compactada, ela endurece e com o tempo ganha consistência  e durabilidade suficientes para diversas aplicações no meio rural. Uma das grandes vantagens do solo-cimento é que o solo um material local, constitui justamente a maior parcela da mistura.
A solo-cimento é uma evolução de materiais de contrução do passado, como o barro e a taipa. Só que as colas naturais, de características muito variáveis, , foram substituídas por um produto industrializado e de qualidade controlada: o cimento.

MODOS DE UTILIZAÇÃO

Há 4 modos de utilização do solo-cimento: tijolos ou blocos, pavimento, parede maciça, ensacado.
Os tijilos ou blocos de solo-cimento são produzidos em prensas, dispensando a queima em fornos. Eles só precisam ser umidecidos, para que se tornem resistentes. Além de grande resistência, outra vantagem desses tijolos ou blocos é o seu excelente aspecto.
As paredes maciças Sào compactadas no próprio local, em camadas sucessivas, no sentido vertical, com o auxílio de formas ou guias. O processo de produção assemelha-se ao sistema antigo de taipa de pilão, formando painéis inteitiços, sem juntas horizontais.
Os pavimentos também são compactados no local, com o auxílio de fôrmas, mas em uma única camada. Eles constituem placas maciças, totalmente apoiadas no chão.
O solo-cimento ensacado resulta da colocação da "farofa"úmida        em sacos, que funcionam como fôrmas. Depois de terem a sua boca costurada, esses sacos são colocados na posição de uso, onde são imediatamente compactados, um a um. O processo de execução assemelha-se à construção de muros de arrimo    co matacões de pedra.
A tabela seguinte mostra as diversa benfeitorias que podem ser feitas com o solo-cimento.

APLICAÇÕES DO SOLO-CIMENTO

Benfeitoria                      Aplicações                           Modo de utilização

Edificações                  Fundação (baldrame ou        Parede maciça (a cava pode ser                                     
                                  sapata corrida)                       usada como fôrma)
                                  Alvenaria (parede)                  Tijolos, blocos ou paredes maciças
                                  Piso e contra-piso                   Pavimento                                                                               

Passeios ou calçadas    Piso e contra-piso                Pavimento

Pátios e terreiros           Piso e contra-piso                Pavimento
       

Ruas e estradas              Base e sub-base                  Pavimento
      

Contenção de encostas   Muro de arrimo                  Ensacado

Silo-trincheira                 Revestimento dos taludes     Ensacado ou parede maciça 

Contenção de córregos     Revestimento dos taludes     Ensacado ou parede maciça
e canais (para irrigação,
abastecimento).

Pequenas barragens           Dique                                  Ensacado

Controle de voçorocas       Dique                                  Ensacado
Cabeceiras de pontes,          Muro de arrimo                   Ensacado
pontilhões, bocas de
galerias



COMPONENTES DO SOLO-CIMENTO

Os componente do solo-cimento são: cimento, água, solo.
  
1) Cimento e água

2) Solo
Uma das grandes vantagens do solo-cimento, como já foi dito, é utilizar um material local: o próprio solo. Mas é preciso usar um solo adequado. O solo arenoso, que tem uma parte maior de areia e  outra menor, de argila, é um solo adequado.
A areia não é um solo arenoso, porque não tem nenhuma quantidade de argila. Portanto ela não é adequada para produzir  solo-cimento.
O solo argiloso, que contém mais argila do que areia, também não é adequado. Ele requer uma quantidade maior de cimento, e é difícil de misturar e de compactar. Mas ele pode ser corrigido, com a adição de areia. Só que há limites econômicos e técnicos para isso. Nesse caso é melhor consultar um profissional   especializadao ou a própria  ABCP.
O solo adequado não deve conter pedaços de galhos, folhas, raízaes ou qualquer outro tipo de material  orgânico que podem prejudicar a qualidade final do solo-cimento. Solos com muito material orgânicos devem ser descartados para a produção de solo-cimento, pois a sua limpeza é muito difícil.
É fácil identificar a areia e o solo com impurezas, mas nem sempre é fácil diferenciar um solo arenoso de um solo argiloso. Por isso, deve ser feito sempre o teste da caixa, para saber se um solo é adequado para a produção de solo-cimento. O teste da caixa é muito simples:
- Retire uma amostra de aproximadamente 4kg do solo que vai ser avaliado, mas tome o cuidado de eliminar a camada superficial, que contém matéria orgâmica;
- Passe a amostra do solo por uma peneira de malha (abertura) de 4mm a 6mm;
- Misture a água aos poucos, até que o solo fique com a aparência de uma argamassa de assentamento de tijolos, ou seja, até que o solo, ao ser pressionado com uma colher de pedreiro, comece a grudar em sua lâmina;
- Coloque o solo umidecido em uma caixa de madeira com as dimensões internas indicadas na figura. A parte interna da caixa deve ser previamente untada com óleo;
ex01.jpg (8064 bytes)                              
- Encha a caixa até a borda, pressionando e alizando a superfície com a colher de pedreiro. Tome cuidado para que não fique nenhum espaço vazio no se interior;
- Deixe a caixa guardada em ambiente fechado, protegida do sol e da chuva durante 7 dias. Após esse período, faça a leitura da retação (encolhimento) do solo,, no sentido do comprimento da caixa, e some as medidas feitas nos dois lados da caixa. Se a soma não ultrapassar 2cm e se não aparecerem trincas na amostra, o solo é adequado e pode ser usado na produção de solo-cimento.

ex02.jpg (5520 bytes)

O uso do solo do local da obra é sempre a solução mais econômica. Entretanto, se ele não servir, é preciso procurar um solo mais adequado em outro local, denominado jazida. Por questões econômicas, a jazida deve ficar o mais próximo possível da obra.  

PREPARO DO SOLO-CIMENTO

1) Dosagem do solo-cimento
Nas obras de pequeno porte é usado um traço padrão, de 1 para 12 ( uma parte de cimento para 12 partes de solo adequado , que é um solo arenoso aprovado no teste da caixa).
Esse traço padrão para pequenas obras será sempre o mesmo, qualquer que seja o modo de utilização. Em obras de grande porte, o solo-cimento chega a ser produzido em usinas ou centris de mistura. Em obras de pequeno porte, a mistura é manual. Betoneiras não servem para preparar o solo cimento.

2) Mistura manual do solo-cimento
a) Passe o solo por uma peneira de malha (abertura) de 4cm a 6cm;
b) Esparrame o solo sobre uma superfície lisa e impermeável, formando uma camada de 20cm a 30cm. Espalhe o cimento sobre o solo peneirado e revolva bem, até que a mistura fique com uma coloração uniforme, sem manchas de solo ou de cimento;
c) Espalhe a mistura numa camada de 20cm a 30cm de espessura, adicione água, aos poucos ( de preferência usando um regador com "chuveiro" ou crivo), sobre a superfície e misture tudo novamente.
Os componentes do solo-cimento podem ser misturados até que o material pareça uma "farofa" úmida, de coloração uniforme, próxima da cor do solo utilizado, embora levemente escurecida, devido à presença da água.
É muito importante que a quantidade de água da mistura esteja correta. O solo-cimento compactado com muita água perde resistência e pode até trincar. Se a mistura tiver pouca água,  a compactação fica difícil e tambem haverá perda de resistência.
Existem testes práticos para verificar se a quantidade da mistura está correta:
- Encha bem a mão com a mistura e aperte com muita força. Logo em seguida, abra a mão. O bolo formado deve apresentar a marca dos seus dedos com nitidez. Se não apresentar essas marcas, há falta de água na mistura. Nesse caso, ponha aos poucos mais água na mistura, e repita o teste até aparecer a marca dos dedos;
- A seguir, deixe o bolo cair no chão, de uma altura de cerca de 1m. No impacto, o bolo deve se desmanchar. Se isso não ocorrer, há excesso de agua na mistura. Nesse caso, esparrame e resolva a mistura, para que o excesso de água evapore. Repita o teste, deixando o bolo cair de novo, para verificar se a quantidade de água chegou ao ponto correto.
A mistura do solo-cimento começa a endurecer rapidamente. Por isso, ela deve ser usada, no máximo, duas horas após o preparo. Portanto, evite preparar mais solo-cimento que possa utilizar nesse intervalo de tempo.
As ferramenta necessarias para o preparo do solo-cimento são: colher de pedreiro, peneira de malha 4mm a 6mm, lata de 18 litros, regador co "chuveiro", pá, enxada.
  
   LANÇAMENTO, COMPACTAÇÃO E CURA DO SOLO-CIMENTO

  1)  Tijolos ou blocos de solo-cimento
  Para a produção de pequenos volumes, é usada a prensa manual, de baixo custo e com produção de ordem de 1500 tijolos maciços por dia. Essas prensas são pequenas e pesam menos de 150kg.
a) Abra a tampa da fôrma da  prensa e coloque a mistura de solo-cimento;
b) Feche a tampa da fôrma da prensa, nivelando a mistura e retirando o excesso.
c) Movimente a lavanca no sentido de compactação da mistura, até o fim do seu curso.
d) Logo após a prensagem, retorne a alavanca à posição inicial. A seguir, abra a tampa da fôrma e acione novamente a alavanca, no sentido de compactação. Isso empurrará os tijolos para fora da fôrma (desforma);
e) Após a desforma, os tijolos podem ser imediatamente retirados da prensa, mas com cuidado. Eles devem ser empilhados em local protegido do sol e do vento. As pilhas não devem ter mais que 1,5m de altura. Nesse local, eles devem ser molhados, pelo menos 3 vezes ao dia, durante os 7 primeiros dias. Após essa fase, chamada de cura, os tijolos estarão prontos para o uso.
As prensas manuais não produzem blocos de solo-cimento. No entanto, existem no mercado as prensas hidráulicas, que podem fabricar tanto os tijolos quanto os blocos de solo-cimento. Elas têm grande volume de produção, mas o volume inicial é elevado e só se justifica em obras de grande porte. A ABCP  pode fornecer aos interessados a relação dos fabricantes de prensas manuais e hidráulicas.
  
2) Paredes maciças de solo-cimento
Antes da execução de paredes maciças de solo-cimento, é preciso preparar as fôrmas, as guias dessas fôrmas e os soquetes para a compactação. São necessários dois conjuntos de fôrmas. Cada um deles se compõe de duas chaps de madeira compensada resinada, de 110cm X 220cm, com 18mm de expessura, estruturadas com sarrafos de madeira serrada de 2,5cm X 7,5cm.
São necessários também 12 parafusos trespassantes, para fixar as fôrmas no local de compactação e 12 tubinhos de PVC, de comprimento igual à expessura da parede, usados para evitar que as fôrmas se desformem quando os parafusos são apertados.
As paredes maciças de solo-cimento devem ter uma junta vertical a cada 210cm, para evitar trincas. Por isso, as guias de apoio das fôrmas e aprumo da parede são colocados a essa distância, uma da outra.
Essas guias têm a altura da parede mais a parte que fica enterrada (50cm);
Elas podem ser de madeira ou de concreto armado pré-moldado.
As guias de madeira são retiradas após a compactação e reaproveitadas.
Elas são feitas com madeira serrada de 7,5cm X 12cm. A medida de 12cm corresponde à expessura da parede. Nas extremidades dos painéis deve ser feito um rebaixo em forma de V, de cima para baixo,   com 12,5cm de profundidade, que funciona como junta e proporciona uma boa amarração com o painél vizinho.
Esse rebaixo deve ser feito logo após a desforma e retirada das guias, antes que o solo-cimento endureça. Apóie uma régua de madeira na extremidade do painél e, com a colher de pedreiro, raspe o solo-cimento. até obter o rebaixo necessário.

ex03.jpg (8005 bytes)

As guias de concreto armado são  fixas. Elas ficam incorporadas ao solo-cimento, o que aumenta muito a rigidez das paredes. As guias de concreto armado são parecidas com mourões de cerca. São quadradas e têm a mesma expessura da parede. Elas podem ser produzidas no próprio local de uso e já devem ser moldadas com o rebaixo. As fôrmas para a concretagem dessas guias são feitas  com chapas de madeira serrada, nas quais são pregados tubos de PVC cortados ao meio no sentido do comprimento. Com um conjunto de fôrmas podem ser concretadas vàrias guias ao mesmo tempo.
A armadura das guias é composta de 4 ferros de 6,3mm de bitola, amarrados por estribos de 5mm de bitola, a cada 30cm.
    
ex04.jpg (8153 bytes)
Para compactar o solo-cimento, podem ser utilizados dois tipos de soquetes de madeira:
- Soquetes para fundações;
- Soquetes para paredes maciças.
A execução das paredes maciças de solo-cimento começa pelo preparo das fundações (baldrame), que também podem ser feitas com o solo-cimento. Nesse caso, as dimenções da fundação serão iguais às projetadas à outros materiais (blocos, tijolos, concreto, etc.). A mistura do solo-cimento é lançada e compactada nas próprias cavas, em camadas sucessivas de 20cm, no máximo, sem necessidade de uso de fôrmas. A mistura estará bem compactada quando o soquete não deixar mais marcas ao bater na superfície da camada.
As guias são colocadas em furos feitos nas fundações. Se estas forem de solo-cimento, os furos devem ser abertos, no máximo, 12 horas após o término da compactação. Se forem de outro material, os espaços dos furos devem ser deixados nas fundações quando elas estiverem sendo executadas. As dimensões dos furos devem ser 6cm maiores que as guias (3 cm para cada lado) Uma vez colocadas nos furos, as guias são aprumadas e escoradas. Esse escoramento é feito com um caibro preso a uma estaca cravada na terra e deve ser mantido durante a execução dos painéis, para evitar que as guias saiam do prumo durante a compactação. A fixação das guias nos furos é feita do seguinte modo:
- Se as guias forem de madeira, elas devem ser travadas com cunhas ou terra socad, o que permite a sua retirada após a compactação do painél;
- Se as guias forem de concreto (fixas), em vez de cunhas ou terra socada, é usada uma argamassa com traço de uma parte de cimento para 6 partes de areia, ou o próprio solo-cimento compactado em camadas.
As fôrmas são fixadas dos seguinte modo:
- Quando são usadas guias de madeira ( a serem retiradas), as extremidades das fôrmas "abraçam" duas guias ou as extremidades de dois painéis prontos.
- Quando são usadas guias de concreto (fixas), as extremidades das fôrmas sempre "abraçam" duas guias.
O que garante o "abraço" das fôrmas nas guias ou nos painéis prontos são parafusos que atravessam as fôrmas e pressionam de m lado contra o outro, de modo a fixar cada conjunto no local  de compactação do solo-cimento. Para evitar que os parafusos sejam pouco apertados ou apertados demais, são colocados tubinhos de PVC com o comprimento exato da expessura da parede, no local onde os parafusos atravessam a fôrma.
No sentido vertical, as fôrmas se apóiam do seguinte modo:
- No primeiro lance, sempre sobre as fundações, niveladas com uma argamassa de regularização;
- daí para cima, sempre no conjunto de fôrmas inferior.
Assim que o primeiro conjunto de fôrmas estiver na posição, a mistura de solo-cimento é lançada no seu interior, em camadas sucessivas de não mais de 20cm, que devem ser imediatamente compactadas. Esse procedimento é repetido até o preenchimento completo da fôrma. Cada camada estará bem compactada quando o soquete não deixar mais marcas ao bater na superfície.
Em seguida, é colocado o segundo conjunto de fôrmas. Completado o preenchimento total da segunda fôrma,  a primeira é retirada e colocada sobre a outra. E assim sucessivamente, até se atingir a altura desejada da parede.
ex05.jpg (8392 bytes)


Os conjuntos de fôrmas devem ser retirados imediatamente após o témino do painel inteiriço. Os tubinhos de PVC usados dentro das fôrmas para suportar o aperto dos parafusos podem ser reaproveitados nos painéis seguintes. Para isso, eles devem ser empurrados para fora, logo após a desforma. Os furos deixados pelos tubinhos de PVC devem ser preenchidos com o próprio solo-cimento, a partir do dia seguinte à execução da parede.
Quando são usadas guias de madeira, deve ser feio um friso, com uma colher de pedreiro na junta vertical, entre os painéis.
Na execução das paredes de moradias e galpões, as esquadrias (portas e janela) devem ser assentadas simeltaneamente à execução dos painéis. Mas é preciso reforçar os caixões das esquadrias, para evitar que elas deformem durante a compactação.
Nas instalações hidráulicas, sanitárias e elétricas das edificações com paredes maciças de solo-cimento são executadas do mesmo modo que nas construções convencionais. Quando as instalações forem embutidas, os rasgos nas paredes devem ser feitos, no máximo 48 horas após a compactação da mistura de solo-cimento.
A cura das paredes maciças é igual à dos tijolos de solo-cimento. As paredes devem ser molhadas pelo menos 3 vezes ao dia, durante uma semana.
Não há necessidade de revestir  as paredes maciças de solo-cimento, mas convém fazer uma pintura de impermeabilização (à base de latex, aguada de cimento, etc.).
As ferramentas necessárias à execução de paredes maciças de solo-cimento são: colher de pedreiro, enxada, pá, carrinho de mão, serra de arco, soquetes, réguas de madeira, martelo, mangueira de 'nivel, lata de 18 litros.

3) Pavimento de solo-cimento
O pavimento de solo-cimento pode ser usado como piso e contrapiso na construção de passeiosou calçadas, e de pátios ou terreiros. Para executar ruas ou estradas, é preciso consultar um profissional especializado, por serem obras mais complexas.
Antes de iniciar a execução de pisos e contrapisos de solo-cimento, é preciso definir a sua expessura, que depende da finalidade de uso, conforme a tabela abaixo:

PISOS E CONTRAPISOS DE SOLO-CIMENTO

Finalidade de uso                                                                                Expessura

Áreas internas de edificações, passeios ou calçadas e áreas                     8 cm
onde não passem animais, máquinas ou cargas pesadas.

Pátios, terreiros, áreas onde passem animais e                                         15 cm
estacionamento de pequenas máquinas e implementos

 

O passo seguinte, é a demarcação da área a ser pavimentada, co a cravação de piquetes de madeira, nos quais são esticados fios   ou cordéis para definir os limites da obra. Esses piquetes devem ser fixaodos pelo menos 40 cm para fora do contorno onde será feito o contrapiso.
A segui, é feita a limpeza do terreno, retirando a camada superficial de solo que contenha vegetação ou material orgânico. Depois, a área deve ser regularizada (execução dos cortes e/ou aterros necessários) e compactada.
Para saber a quantidade de solo a ser usada, deve ser considerada uma perda do seu volume por compactação. Por exemplo, 6 metros cúbicos de solo vão resultar em 4 metros cúbicos de solo-cimento, com a perda de 2 metros cúbicos por compactação.
Portanto, para fazer um pavimento de 2,5m de comprimento por 2 de largura, e 8 cm de espessura (4 metros cúbicos de volume final de solo-cimento, compactado) será necessária uma quantidade de solo 50% superior, 4 metros cúbicos mais 2 metros cúbicos (50% de 4 metros cúbicos), dando um total de 6 metros cúbicos. Em resumo, aregra é usar uma quantidade de solo 50% superior ao volume final do solo-cimento compactado. Esse solo destinado '` produção de solo-cimento deve ser protegido da chuva para não encharcar.
Nessa etapa é preciso definir outro detalhe: se o pavimento vai ser compactado sobre o terreno (sobreposto) ou vai ser encaixado nele.
Na execução de pavimentos de solo-cimento é usada uma fôrma de altura igual à expessura do pavimento e um complemento, também chamado de guia, com a metade da altura do pavimento.
A guia é fixada sobre a fôrma definindo a altura que a mistura de solo-cimento deve atingir antes de ser compactada. Na verdade, a altura da guia corresponde  exatamente ao volume da mistura que será perdido na compactação.
O comprimento e a largura da fôrma e da guia dependem das dimensões da área a ser pavimentada. Se ela tiver, por exemplo, 9m por 30m, o serviço deve ser executado em faixas de 3m de largura, e cada faixa em duas etapas de 15m. Nesse caso, a fôrma terá um contorno de 3m de largua por 15m de comprimento.
Terminada a execução desta etapa, a fôrma será reaproveiada nos restantes 15m da faixa. Depois de pronta uma faixa, é executada a faixa seguinte.
É recomendável alternar a execução das faixas no sentido da largura, de modo que as faixas pares dispensem o uso de uma parte da fôrma. Em resumo, o pavimento desse exemplo será executado em 6 etapas.
ex06.jpg (12912 bytes)
As fôrmas são dispensáveis em duas situações :
- Quando já houver uma faixa de solo-cimento compactado;
- Quando a borda da cava do pavimento encaixado puder ser usada como fôrma.
A guia é sempre necessária.
Além da fôrma e da guia, é preciso ter um soquete liso (igual ao usado para compactar as fundações de solo-cimento) e um soquete de pontas.
A mistura de solo-cimento é lançada na forma ou na cava, formando uma camada de altura um pouco superior à do topo das guias. O nivelamento da mistura é feito com uma régua de madeira apoida nas guias.
A compactação inicial é feita com o soquete de pontas, até que restem apenas sulcos de, no máximo, 4cm de profundidade. A compactação é completada com o soquete liso.
Em seguida, as guias são retiradas para compactar as bordas da  faixa em execução , com um pedaço de caibro de madeira e uma marreta. Após a compactação de cada etapa, inclusive das bordas, o nivelamento da sua superfície é verificado com uma régua de madeira apoida sobre as fôrmas. As partes que ficarem mais altas (acima do nível da fôrma) devem  ser raspadas com a própria régua. ó então as fôrmas podem ser removidas, para reaproveitamento na etapa seguinte conforme a seqüência de execução já explicada.
As faixas já concluídas precisam ser curadas, ou seja, mantidas úmidas por, no mínimo durante 7 dias. Isso pode ser feito cobrindo a superfície das faixas com   sacos de aniagem, areia ou outro material, que devem ser mantidos sempre úmidos. Durante esse período deverá ser evitado qualquer tipo de tráfego sobre o pavimento de solo-cimento.
As ferramentas necessárias para a execução de pavimentos de solo-cimento são: colher de pedreiro, carrinho de mão, enxada, pás,soquetes,  réguas, nível, mangueiras de nível, mangueira, caibro, lata de 18 litros.

4) Solo-cimento ensacado
O solo-cimento ensacado é feito com a mesma mistura usada nos modos de utilização  desse material. Só que as fôrmas são sacos de ráfia, polipropileno ou aniagem, do tipo usado par embalar grãos (feijão, milho, café,etc.). Os sacos não precisam ser novos: podem ser ser aproveitados sacos usados, desde  que não estejam rasgados, furados ou apodrecidos. Mas todos devem ser do mesmo tamanho. Sacos de papel ou de plático não servem. Em caso de necessidade, é fácil localizar fornecedores de sacos novos nas páginas amarelas das listas telefônicas.
Para  fechar os sacos,é usada uma grande agulha curva (de 15cm aproximadamente) e barbante fino, mas reistentes, próprios para costurar sacarias, como a usada para fechar sacos de café, por exemplo.
É necessário dispor ainda de um soquete igual ao que se usa na compactação das fundações de solo-cimento e de um soquete frontal, para compactar os lados dos sacos.
A construção de muros de arrimo e o revestimento de taludes ou encostas de até 2m de altura começam pela execução das fundações. Pode ser usada uma base de concreto simples ou mesmo de solo-cimento (baldrame), 1cm mais larga que  a base do muro ( 50cm a mais de cada lado) e com  30cm de  altura. Essa base deve ser executada sobre terreno firme, nivelado e compactado.
Em seguida, os sacos são preenchidos com a mistura de solo-cimento até 80% da sua capacidade e costurados.
Os sacos são colocados na posição de uso, no sentido horizontal, e alinhados um a um. Eles devem ser compactados logo após o posicionamento. Por isso, é recomendável não colocar mais de 5 sacos antes de começar a compactação. A primeira fiada é apoiada nas fundações. A segunda é colocada sobre a primeira, em sistema de amarração (matajunta ou junta desencontrada). E assim sucessivamente.

ex07.jpg (9500 bytes)

A compactação deve ser feita  no meio do saco para as bordas, até que o soquete, ao bater, não deixe mais marcas na superfície do saco.  Finalmente, devem ser compactados os lados dos sacos  que vão ficar expostos, formando a superfície aparente do muro. Essa compactação pode ser feita de 5 em 5 sacos, com o   soquete frontal.
Não se devem passar mais de 2 horas entre a preparação da mistura e a compactação dos sacos, já colocados em sua posição definitiva (incluindo o enchimento, a costura, o transporte e a colocação dos sacos na posição de uso).
Os drenos  (barbacãs) para escoamento da água que se infiltra atrás do muro são feitos de tubos de PVC, colocados antes da compactação, durante o posicionamento dos sacos. Os drenos dvem ter uma espécie de filtro na boca, do lado do muro que será aterrado. Isso pode ser feito com pedra 1, embrulhada em sacos porosos ( do mesmo material indicado para ensacar o solo-cimento), amarrados na boca dos tubos de PVC. O reaterro só deve ser feito depois que os drenos estiverem prontos.
É recomendável cobrir a última fiada de sacos com uma camada de concreto magro.
O solo-cimento ensacado tem uma outra aplicação, muito útil no meio rural: a construção de diques para controle de voçorocas. Levantados em determinados intervalos, esses diques permitem diminuir a velocidade das águas, contendo o processo de erosão. Esse tipo de obra também favorece a recomposição do terreno, retendo o solo que antes era carregado pelas águas.
A execução dos diques assemelha-se à construção dos muros de arrimo de solo-cimento ensacado. Não há necessidade  de fundações, mas é preciso nivelar e compactar a base de apoio dos sacos e escavar um poucos as encostas, para encaixar as extremidades das camadas sucessivas de sacos. Esses diques só podem ser construídos em épocas de estiagem.
A cura do solo-cimento ensacado é mais simples, porque os sacos retém boa parte da umidade da mistura: basta regar as pastes expostas uma vez ao dia, durante 7 dias.
Terminada a obra. não há necessidade de retirar os sacos. Com o tempo eles apodrecem e desaparecem. As superfícies podem então ser revestidas,com uma camada de chapisco, caso haja necessidade de impermeabilização.
As obras de solo-cimento ensacado de maior porte exigem projeto e orientação de um profissional habilitado, pois envolvem muita responsabilidade. É o caso, por exemplo, de muros de arrimo, revestimentos de taludes ou encostas de mais de 2m de altura, diques de barragens e muros de cabeceiras de pontes, pontilhões e bocas de galerias.
As ferramentas necessárias para a execuçao de solo-cimento ensacado são: enxada. pá, carrinho de mão, agulha, curvas, soquetes, colher de pedreiro, mangueira de nível, lata de 18 litro.

                                                                                                                  Volta a pagina inicial

© Copyright 1998 B@NET, All rigths reserved. Todos os direitos reservados.