GADO DE LEITE
Os rendimentos do pecuarista de leite vem da venda de leite,
de seus derivados e também das crias. Por isso, ao escolher um sistema de produção, o
pecuarista deve levar em consideração todas as opções possíveis.
Nos países de pecuária bem desenvolvida, é comem encontrar sistemas extensivos
e intensivos que oferecem boa rentabilidade ao prdutor. Portanto, este deve analisar bem
antes de escolher o modelo de produção.
Os sistemas de criação para gado de leite mais utilizados são três: Extensivo,
semi-intensivo e intensivo.
A opção por um modelo ou outro depende de minuciosa análise de mercado, para avaliar a
demanda, em quantidade e qualidade, do leite a ser produzido. A escolha de melhor sistema
de criação dependará também das condições econômicas do criador, do local e dos
meios de produção disponíveis. Por exemplo, em regiões planas, com boas pastagens e
chuvas bem distribuídas ao longo do ano, o sistema de produção extensivo pode ser mais
vantajoso, desde que o valor da terra não seja muito alto.
SISTEMA DE CRIAÇÃO
1) Sistema extensivo
O sistema extensivo de criação é mais usado com
gado misto, sem pparão racial definido, e consiste em criar os animais soltos no pasto.
A pastagem é a basse da alimentação e as instalações são simples.
Quando completas, são constituídas por:
- Estábulo de ordenha;
- Curral de espera;
- Curral de manobra;
- Cochos para forragens e para minerais (saleiro);
- Bebedouros;
- Resevatório;
- Esterqueiras;
- Cercas para piquetes de pastagens co bebedouros e saleiro;
- Mata-burros.
A ordenha, em geral, é feita uma vez por dia, manualmente, no próprio curral ou no
galpão, com a presença dos bezerros.

Sistema extensivo de criação de gado de corte
Embora esse sistema ainda seja o mais usado pelos pecuaristas brasileiros, a sua
produtividade é baixa, principalmente nos períodos de estiagem, pois as pastagens ficam
fracas, reduzindo muito a produção, para menos de 5 litros por animal por dia, em
média.
2) Sistema semi-intensivo
O sistema semi-intensivo de criação é mais usado para gado
de melhor padrão racial. Consiste em manter o gado no pasto e reforçar a sua
alimentação em regime de confinamento parcial, quando necessário, permitindo maior
estabilidade de produção. Assim, a alimentação no pasto é complementada, por exemplo,
co silagem ou capim picado na época de estiagem. Esse sistema exige instalações como:
- Estábulo de ordenha;
- Curral de espera;
- Curral de manobra;
- Curral de alimentação com bebedouros;
- Cochos para forragens e para minerais (saleiros);
- Bebedouros;
- Silos ou fenis para forragens;
- Esterqueiras;
- Cercas para piqueteses de patagens com bebedouros e saleiros;
- Mata-burros.

Sistema semi-intensivo de criação de gado de corte
Nesse sistema, animais de qualidade com manejo adequado conseguem produzir até 18 litros
por dia, em duas ordenhas.
3) Sistema intensivo
O sistema intensivo de criação é o mais recomendado para
gado de alto padrão racial. Consiste em criar os animais de elevada produção ( acima de
20 litros por dia) permanentemente confinados no próprio estábulo de ordenha ou em
galpões, dependendo da modalidade de estabulação a ser adotada, com manejo
extremamente controlado. As benfeitorias são quase as mesmas do sistema semi-intensivo:
- Estábulo de ordenha;
- Galpões de estabulação livre;
- Curral de espera;
- Curral de manobra;
- Curral de alimentação com bebedouros;
- Cochos para forragens e para minerais (saleiro);
- Bebedouros;
- Reservatórios;
- Silos ou fenis para forragem;
- Esterqueiras;
- Mata-burros.
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A grande vantagem do sistema intensivo de criação
consiste na eficiência do manejo e no consequente aumento da produtividade, pois o
alimento pode ser produzido em áreas menores, armazenado e fornecido durante todo o ano.
Os animais são separados em instalações próprias, em lotes, de acordo com a
idade e a fase de produção. Assim, bezerras, novilhas, vacas secas e vacas em produção
ficam separadas. Esse sistema facilita a produção de leite no caso de grandes rebanhos,
permitindo produção estável, sem oscilações de safra e entressafra. No sistema
intensivo de criação, há dois modos de estabulação: convencional (tie/stall) e
estabulação livre.
- Modo convencional: no modo convencional de confinam,eno, as vacas
têm acesso, na maior parte do tempo às baias individuais, uma ao lado da ouutra. A
contenção dos animais é feita com canzis de madeira onde tubos metálicos chumbados
diretamente no piso de concreto. A alimentação pode ser dada em cochos situados ao longo
do corredor central . As canaletas de limpeza ( pisos de vigotas de concreto ou piso
ripado) ficam nas laterais do galpão, permitindo a higiêne e drenagem rápida da área
quando os animais vão para um piquete tomar sol. A ordenha é feita no próprio loca em
que as vacas ficam estabuladas. Em geral, o pé direito do galpão deve ser de, no
mínimo, 3m.

- Modo de estabulação livre: A estabulação livre é o modo de confinamento mais
moderno no sistema intensivo de produção. Nele, os animais são alojados em galp~pes
onde podem circular pelos corredores para se alimentar, beber água ou descansar.
Em geral, o concentrado e as fontes de minerais são misturados de forma balanceada ao
volumoso, constituindo a ração total, que pode ser fornecida diretamente sobre o piso.
Esse modo de confinamento é recomendado para rebanhos com mais de 50 vacas, porque
facilita o manejo.
Existem dois modelos de estabulação livre: alojamento livre ( loose/hoosing) e baias
livres ( free-stall).
O modelo alojamento livre é recomendado para regiões de clima mais seco, como o
semi-árido do nordeste brasileiro. Ali, a baixa umidade diminuiu os problemas sanitários
de contaminação por insetos. Por isso, a limpeza é feita em intervalos maiores.
O alojamento livre contém uma área coberta para alimentação, uma área coberta para
repouso, de forma a garantir sombras às vacas, e uma área descoberta para os animais se
exercitarem. Também deve ter bebedouro e cocho.
O comprimento da área coberta destinada à alimentação deve ser suficiente para
permitir que todas as vacas se alimentem ao mesmo tempo.
ÁREA MÍNIMA NECESSÁRIA POR
ANIMAL NO MODELO ALOJAMENTO LIVRE |
|||||
| Categoria dos animais |
Comprimento necessário de cocho (m) |
Área coberta para alimentação (metros quadrados) |
área coberta para repouso( metros quadrados) |
Área descoberta p/ exercícios (metros quadrados) |
Área total utilizada ( metros ao quadrado) |
| bezerras | 0,5 | 1,7 | 2,7 | 3,6 | 8,0 |
| novilhas | 0,6 | 2,1 | 3,4 | 4,5 | 10,0 |
| vacas | 0,7 | 2,8 | 6,0 | 8,0 | 16,8 |
ATENÇÃO: Bezerras com até 3 meses ficam nos bezerreiros individuais.
O modelo baias livres é um dos mais usados atualmente. Requer menor área e necessita de
menos mão-de-obra para ser operado.
Um só galpão contém área para alimentação semelhante à do modelo alojamento livre,
área para repouso com baias individuais e área para circulação dos animais, que serve
para exercício e acesso ao cocho e bebedouro.
| ÁREA MÍNIMA NECESSÁRIA
POR ANIMAL NO MODELO BAIAS LIVRES |
|||||
| Categoria dos animais |
Comprimento necessário do
cocho (m) |
Dimensão das baias | Área da baia de descanso |
Área coberta
total (metros quadrados) |
|
| comprimento(m) | Largura(m) | ||||
| Bezerras |
0,5 | 1,5 | 0,8 | 1,2 | 5,0 |
| Novilhas |
0,6 | 1,7 | 0,9 | 1,5 | 6,2 |
| Vacas |
0,7 | 2,3 | 1,2 | 2,8 | 11,5 |
ATENÇÃO: Bezerras com até 3 meses
ficam nos bezerreiros individuais.
BENFEITORIAS NECESSÁRIAS
1) Estábulo de ordenha
Os estábulos, locais onde as vacas são ordenhadas e muitas
vezes alimentadas, compõem-se basicamente de :
- Curral de espera;
- Sala de ordenha;
- Sala de leite;
- Escritório e depósito para ração concentrada (caso seja fornecida durante a
ordenha);
- banheiro com rouparia;
- Sala de máquinas;
- Bezerreiro.
![]() Estábulo de ordenha em ala dupla |
No caso das vacas ordenhadas com bezerro ao pé
(mestiças de zebu), há necessidade da construção de bezerreiro anexo à sala de
ordenha.
O projeto deve prever boas condições de higiêne e conforto para os animais e facilitar
o serviço do ordenhador, para que seja possível obter aumentos significativos de
produtividade.
Nos modelos de estábulos convencionais, as vacas entram todas de uma só vez e recebem os
alimentos concentrados e volumosos durante a ordenha, o que exige maior área construída
(custo maior) e permanência dos animais no local por mais tempo. Além disso, a
limpeza fica mais difícil, há maior possibilidade de contaminação do leite e aumento
no custo dos equipamentos utilizados.
2) Curral de espera
O curral de espera, anexo ao estábulo de ordenha, é usado
para reunir as vacas antes da ordenha.
Na produção de leite nos sistemas intensivos mais modernos, o curral de espera deve ser
coberto, para oferecer sombra e maior conforto às vacas.
A área necessária por animal é de 2 metros quadrados para raças de pequeno porte e 2,5
metros quadrados para raças de grande porte.
O curral de espera deve ter lava-pés logo na entrada, para reduzir a sujeira das patas
dos animais vindos dos pastos.
O lava-pés é um rebaixo no piso, com comprimento mínimo de 5m, contendo água. Ele é
usado para amolecer e tirar o barro aderido aos cascos dos animais, evitando sujar a sala
de ordenha, Deve ser construído com uma profundidade de 20cm e ter um ralo no fundo, para
limpezas periódicas. O fundo e as paredes do lava-pés devem ser revestidos com argamassa
de impermeabilização.
3) Sala de ordenha
A ordenha é uma das atividades mais importantes no sistema
de produção de leite. Por isso, as vacas necessitam ficar num lugar limpo e
confortável.
Os locais onde elas são ordenhadas, ou salas de ordenha, podem ser:
- Sem fosco: em geral, indicadas para ordenha manual e mecânica;
- Com fosco: em geral, indicadas apenas para ordenha mecânica.
Atualmente, a sala de ordenha mais recomendada é a que se destina a lotes menores de
vacas, ordenhadas simultaneamente. Desta forma, entram e saem grupos de vacas e não todas
de uma só vez, reduzindo a área do estábulo e o custo de equipamentos. O número de
animais por grupo é estabelecido de acordo com o tamanho do rebanho e a capacidade do
sistema de ordenha.
A sala de ordenha sem fosco é a mais comum. Contudo, não oferece maior conforto para o
ordenhador no seu trabalho. Pode ser em ala simples ou dupla.
A sala de ordenha sem fosco em ala simples é recomendada para pequenos rebanhos (até 20
vacas). Sua principal vantagem é a uti;ização de galpões de uma água, pois sua
largura, em geral, é de 4m. O pé-direito deve ter 3m, no mínimo.
O modelo em ala dupla é recomendado para rebanhos maiores, com até 60 vacas (ordenha
manual) ou até 100 vacas (ordenha mecânica). A principal vantagem desse sistema é o
manuseio de 2 grupos na ordenha. Enquanto o primeiro está sendo ordenhado, o segundo é
preparado, agilizando o processo. Nesse caso, o galpão é um pouco mais largo (7m). O
pé-direito também deve ter 3m, no mínimo.
A sala de ordenha com fosco, usada para ordenha mecânica, é um modelo mais moderno, que
aumenta o conforto e a eficiência do ordenhador.
O modelo espinha de peixe é o mais usado porque permite o manejo dos animais em
grupos e aumenta muito a eficiência da ordenha. Próprio para rebanhos com amis de 30
vacas, pode ter uma ou duas alas permitindo a ordenha de grupos de 3 a 12
animais ao mesmo tempo, dependendo do número de contenções.
A principal vantagem é o menor tempo gasto por ordenha. Assim, é possível ordenhar mais
vacas num determinado período.
As salas de ordenha com fosco devem ter pé-direito mínimo de 3m e fosco de 1,8m de
largura, com profundidade de 0,9m. Em geral, a altura do galpão é de 6,6m.
As salas de ordenha devem contar ainda compedilúvio coberto. O pedilúvio é semelhante
ao lava-pés. A diferença está no seu comprimento bem menor (2,5 m ou um pouco mais) e
no uso da solução bactericida, para previnir lesões nos cascos dos animais, causadas
por microorganismos, Também deve ter profundidade de 20cm.
4) Sala de leite
Essa sala é o local onde o leite proveniente da
ordenha é filtrado, refrigerado e armazenado em temperatura adequada, antes de ser
entregue ao laticínio, para beneficiamento. Por isso, a sala precisa estar equipada com
pia para limpeza dos utensílos e dispor de espaço para os equipamentos de processamentp
do leite e para circulação.
A sala deve ter pé-direito mínimo de 3m, laje ou forro e janela para ventilação, com
tela fina para evitar a entrada de insetos.
5) Escritório e depósito para ração concentrada
Um escritório, construído no estábulo, possibilita o
controle das informações sobre a produção dos animais e seu manejo. Ali também podem
ser guardados produtos veterinários (vacinas, remédios e botijões de sêmen) e ração,
caso os animais sejam alimentados durante a ordenha.
6) Banheiro com rouparia
A higiêne pessoal dos funcionários é fundamental para a
produção de leite de boa qualidade. Por isso, o estábulo precisa ter sanitário e local
para troca de roupa a ser usada durante a ordenha.
Caso o banheiro seja construído no estábulo, sua porta deve dar acesso para fora e não
para qualquer dependência interna.
O esgoto deve ser encaminhado para uma fossa séptica.
7) Sala de máquina
A sala de máquina é contruída para abrigar equipamentos
como bombas, compressores e motores. Ela deve ser bem ventilada para dissipar rapidamente
o calor gerado pelas máquinas.
O tamanho da sala depende dos equipamentos a serem usados e do número de animais do
rebanho.
8)Bezerreiro
Os estábulos destinados a animais mestiços de zebu
dispõem, em geral, de bezerreiro ( alojamento para os bezerros), anexo à sala de
ordenha, para manter os bezerros durante a retirada do leite. O bezerreiro deve ter baias
individuais para os animais mais novos e coletivos para os maiores.
Na criação de vacas de maior aptidão leiteira ( holandeses, jérseys, etc.), como a
presença do bezerro não é necessária na ordenha, são muito usados bezerreiros
individuais, construídos nos piquetes.
Os bezerreiros individuais permitem melhor manejo dos animais, com redução significativa
da incidência de doenças. Eles devem ser transportáveis, permitindo sua remoção
periódica para outros locais. Por isso, devem ser construídos com materiais duráveis.
Chapas de fibrocimento podem ser usadas com sucesso com elementos de vibração.
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9) Construção dos estábulos
O estábulo deve ser construído com materiais duráveis que
proporcionem conforto.
Os galpões do estábulo podem ser de uma ou duas águas, dependendo do tamanho do rebanho
e do tipo da ordenha ( manual ou mecânica). Um modo fácil e rápido de executá-los é
utilizar estruturas pré-moldadas de concreto.
Os galpões devem ser construídos em locais amplos, arejados e que evitem grandes corte
no terreno, aterros, obras de drenagem e fundações caras. Também é muito importante
que eles se situem no sentido leste-oeste, para que os animais fiquem mais protegidos da
ação do sol.
Caso haja necessidade de proteção contra ventos frios, podem ser construídas paredes de
vedação: blocos de concreto, placas de concreto, solo-cimento, concreto armado.
As alvenarias da sala de leite e da sala de ordenha devem ser revestidas com ajulejos
esmaltados ou pinturas a base de tinta acrílica, para facilitar a limpeza.
As instalações elétricas e hidráulicas devem ser feitas por profissionais habilitados.
O projeto elétrico deve prever a carga necessária a iluminação e ao uso de máquinas e
equipamentos. Também devem ser projetados vários pontos de tomada d'água para atender
as necessidades de limpeza e abastecimento dos bebedouros.
GALPÕES DE ESTABULAÇÃO LIVRE
Os galpões de estabulação livre têm, em geral, 3m a 4m de
pé-direito e podem ser de uma ou duas águas.
Um modo fácil de construí-los é utilizar estruturas pré-moldadas de concreto.
Nesses galpões, o piso de concreto também deve ter 10cm de espessura e inclinação de
1% ( 1cm por metro) no sentido do comprimento e ranhuras superfíciais com 1cm de largura
e 2cm de profundidade a cada 15cm, feitas com sarrafos de madeira com as mesmas
dimensões dos sulcos. Isso evita que os animais escorreguem.
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