ESTERQUEIRAS
Estábulos e currais geram grande quantidade de dejetos, em
geral, lançados diretamente, sem qualquer tratamento, em rios, lavouras ou pastagens,
poluindo o ambiente. Em pequenas propriedades, muitas vezes, o esterco é deixado para
secar em áreas próximas ao estábulo, perdendo boa parte de suas características como
fertilizante orgânico, além de poder causar doenças. Algunas números dão a idéia de
o que representa a perda desse material: uma tonelada de esterco bovino curtido possui o
equivalente a 155 kg de sulfato de amônia, 100 kg de fosfato natural e 40kg de cloreto de
potássio.
A esterqueira é uma benfeitoria que permite a fermentação do esterco, diminuindo
o seu poder poluidor e possibilitando seu posterior aproveitamento como fertilizante em
lavouras e pastagens. Outra grande vantagem desse processo é que durante a fase de
curtimento ou cura (o tempo necessário para a ação de bactérias e posterior
mineralização dos materiais) a elevada temperatura de fermentação também destrói a
maioria das sementes de pragas e os germes causadores de doenças.
Há vários modelos de esterqueiras. A diferença básica entre elas está na forma dos
dejetos utilizados - líquidos ou sólidos. Qualquer que seja o modelo, o local para a
construção deve ficar afastado no mínimo 50m do estábulo e 200m de residências, para
evitar transtornos causados pela ploriferação de moscas e pelo mau cheiro.
1) Esterqueiras para material líquido
Esse tipo de esterqueira, também conhecida como
chorumeira, é utilizada em propriedades que disponham de água em abundância para
lavagem dos currais e de carretas-tanque para transportar a água servida até as lavouras
ou pastagens.
A lavagem diária do estábulo, muito comum nas propriedades com boas condiçoes de
higiêne, é uma exigência na produção de leite de melhor qualidade. A água servida é
encaminhada por tubos ou canaletas diretamente para a esterqueira, localizada num nível
mais baixo que o estábulo, de modo a possibilitar o escoamento do material por gravidade.
Também é conveniente a construção de uma caixa de passagem, para ajudar na retirada de
materiais sólidos que podem entupir a tubulação.
A chorumeira nada mais é que um reservatório onde a água servida é armazenada por
alguns dias. Pode ser construída enterrada, reduzindo custos e facilitando a execução.
O dimensionamento dessas esterqueiras é feito considerando um volume de 100 litros por
animal por dia, incluindo dejetos e a água de limpeza. Por exemplo, para 50 vacas
entabuladas, a produção diária é de 5.000 litros ( 5 metros cúbicos). Portanto, para
3 dias de armazenamento, a chorumeira deve ter um volume total mínimo de 15 metros
cúbicos (4,2m X 2,6m X 1,5m).
A água servida deve ficar, no máximo, 3 dias dentro da chorumeira. Por isso,
periódicamente ela deve ser retirada por sucção, com a utilização de uma bomba
acoplada à tomada de força de um trator. Em locais inclinados, a
carreta-tanque pode ser carregada por gravidade.
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O fundo da chorumeira deve ter um rebaixo no piso, para
facilitar a descarga. Também deve ser feita uma tampa de 60cm X 60cm, para
permitir o emprego de mangotes de sucção dos tanques coletores ou a execução de
vistorias.
A construção da chorumeira começa pela escavação do buraco onde ela vai ficar.
O fundo do buraco deve ser bem compactado, nivelado e coberto com uma camada de 5cm de
concreto magro, sobre a qual deve ser feita uma jaje de concreto armado de 10cm de
espessura.
Uma maneira fácil e econômica de construir as paredes desse tipo de
esterqueira é usar blocos de concreto de 20cm de largura, reforçados com pilaretes e
cintas, na base e no topo, previamente definidos no projeto.
Se a parede tiver mais de 1,6m de altura, também é preciso fazer uma cinta
intermediária a meia altura.
A cinta de amarração no topo da parede é feita com blocos canaleta ( da mesma largura
dos blocos da parede), amarrados com dois vergalhões de 6mm de bitola.
As paredes internas da esterqueira devem ser revestidas com argamassa de
impermeabilização, para evitar infiltrações.
O fechamento superior da chorumeira é recomendável, para eviar proliferação de moscas
e acidentes ou quedas de animais no seu inteior. Pode ser usada uma laje maciça ou uma
pré-moldada.
2) Esterqueiras para material sólido
Apesar de o sistema de compostagem ( ou seja, o curtimento do
esterco com restos orgânicos em camadas sobre o solo) estar sendo muito utilizado hoje em
dia, as esterqueiras para material sólido ainda são bem aceitas pelos produtores
que possuam limitação de água e de equipamentos.
Os locais mais adequados para a construção de esterqueiras para materiais sólidos são
os terrenos inclinados, onde seja possível executá-la de forma semi-enterrada, reduzindo
custos de construção e facilitando a carga e descarga do esterco.
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O tempo necessário à fermentação completa do material
é de 60 a 90 dias, dependendo da temperatura média da região onde vai ser construída a
esterqueira. Em regiões mais quentes, a fermentação é mais rápida.
O tamanho das esterqueiras para material sólido deve considerar a produção
de esterco que varia de acordo com as condições de criação.
| DIMENSIONAMENTO DA ESTERQUEIRA PARA MATERIAL SÓLIDO | |
| Condições de criação | Quantidade diária de dejetos produzidos por animal |
| Confinamento | 40kg |
| Semiconfinamento | 15kg |
Por exemplo, 25 vacas criadas em sistema de confinamento produzem 1.000 kg de
esterco por dia (40 kg por vaca por dia X 25 vacas). Considerando que o esterco tem
densidade 600kg por metro cúbico, a quantidade produzida ocupará um volume aproximado de
1,7 metros cúbicos por dia (1000 kg dividido por 600kg por metro cúbico).
Para 20 dias de coleta de esterco, será portanto, necessário um compartimento com 34
metros cúbicos ( 20 dias X 1,7 metros cúbicos por dia), ou seja, com 2,5m de altura,
3,2m de largura e 4,25m de comprimento. Assim, nesse caso, para um período mínimo de
curtimento de 60 dias, a esterqueira pode ter três compartimentos, cada um dos quais
será preenchido a cada 20 dias.
O esterco, depois de raspado, pode ser transportado por veículo, carroça ou reboque de
trator e despejado pela parte de trás (lado mais alto) da esterqueira. A retirada é
feita pelo lado mais baixo.
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As paredes frontais devem ser executadas com materiais que facilitem a a
descarga do esterco já curtido. O uso de sistemas de pilaretes pré-moldados de concreto
é mais prático. Neles são encaixadas pranchas de madeira, retiradas à medida que o
esterco vai sendo descarregado. A área deve ser coberta com telhas de fibrocimento, para
proteger o material contra a incidência do sol e da água da cuva.
O líquido que escorre (chorume) deve ser encaminhado para um tanque, também conhecido
como "tanque de chorume", que evita o seu escorrimento pelo terreno e a
ploriferação de moscas. Para isso, o fundo da esterqueira deve ser construído com um
caimento de 2% (2cm por metro) em direção a uma canaleta, que levará o líquido
escorrido até o tanque. Esse pode ser feito com tubos pré-moldados de concreto,
assentados sobre uma base de concreto.
O tamanho desse tanque pode ser calculado com base na produção de um volume de 50 litros
de chorume por metro quadrado de área de compartimento carregado. Por exemplo, uma
esterqueira com três compartimentos a ser utilizada no cálculo será de 2 unidades X
3,2m X 4,6m ou seja, aproximadamente 30 metros quadrados. O volume do tanque será de 50
litros X 30 metros quadrados, ou seja, cerca de 1.500 litros. Um tubo de 1,5m de diâmetro
e 1m de comprimento será suficiente.
O chorume coletado no tanque deve ser bombeado periódicamente sobre o esterco que está
sendo curtido, e o excesso, lançado diretamnete nas lavouras.
A esterqueira para material sólido pode ser feita com: concreto armado, bloco de
concreto.
A sua construção começa pela escavação do local onde ela vai ficar.
O fundo do local deve ser bem compactado e nivelado. A seguir, devem ser feitas as
fundações. Na maioria dos casos é usado o baldrame, com 20cm de largura e 40cm de
altura. Para facilitar, a fundação pode ser feita com blocos-canaletas.
As paredes são feitas com blocos de concreto de 20cm de largura.
Os pilares pré-moldados das divisórias frontais podem ser semelhantes àqueles
usados nos muros de placas de concreto. As rachuras laterais
servem para encaixar as tábuas de fechamento.
Também é conveniente construir uma cinta de amarração no topo da parede. Ela pode ser
feita com bloco-canaleta da mesma largura do bloco da parede. Depois de amarrada com dois
vergalhões de 6,3mm de bitola, ela deve ser preenchida com concreto.
As paredes internas da esterqueira devem ser revestidas com argamassa de
impermeabilização, para evitar infiltrações.
O piso de concreto, com 10cm de espessura, deve ser feito sobre ua camada de 5cm de
concreto magro.
A cobertura pode ser feita com telhas de fibrocimento. Ela evita a perda de partes das
características fertilizantes do esterco pela ação do sol, ou o seu encharcamento no
período das chuvas.
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